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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Regresso à infância


Depois de meses de promoção, chegou aos cinemas 'Toy Story 3', inevitavelmente numa versão 3D (apesar de não muito aproveitada). Voltaram aos grandes ecrãs os personagens que lançaram o cinema de animação para a senda do sucesso, com a estreia do primeiro 'Toy Story' em 1995. A história prometia uma verdadeira viagem nostálgica, não descuidando, contudo, a passagem natural do tempo.

Assim, neste novo capítulo da saga, Andy, o dono de Woody, Buzzlightear e Ca., cresceu e encontra-se já a caminho da faculdade. Longe vão os tempos que passava no quarto entretido com os seus brinquedos, que ganhavam vida na sua ausência, como é bem retratado na introdução do filme. Os brinquedos vão-se deparar, então, com uma nova realidade, quando são doados a um jardim de infância, onde cedo vão perceber que nem tudo é o que parece.

O argumento prima pela originalidade, com a introdução de novos personagens e um novo universo social, o dos brinquedos do infantário. De entre as novas personagens, destaca-se claramente Ken, motivador de momentos muito cómicos ao longo da história. Os conceitos característicos da saga, como a lealdade e o espírito de equipa, continuam presentes, numa história enternecedora sobre o crescimento e a mudança.

Depois de o primeiro filme ter revolucionado a animação, o terceiro capítulo afirma-se definitivamente como o melhor da saga, o mais completo. Óptimo argumento, muito humor, emoção, e uma banda sonora irrepreensível. Uma experiência nostálgica mas ao mesmo tempo refrescante, que culmina numa cena final absolutamente memorável.


domingo, 5 de setembro de 2010

Um verdadeiro sonho


'Inception' (em Portugal, 'A Origem') começou a gerar imenso interesse ainda nem sequer estava em rodagem. Não era para menos: para além do enorme secretismo em torno do enredo, tratava-se de uma história em que Christopher Nolan - realizador que elevou os filmes sobre heróis de banda desenhada a um novo patamar - trabalhava há dez anos.

Com a revelação do elenco a curiosidade aumentou - Leonardo DiCaprio, Ellen Page e Marion Cotillard numa primeira linha, contando ainda com alguns habitués de Nolan, como Ken Watanabe e Michael Caine. A divulgação do trailer aqueceu ainda mais os ânimos: o filme era sobre o mundo dos sonhos, e as imagens reveladas prometiam um filme complexo.

Finalmente chegado às salas de cinema, o filme atraiu multidões na descoberta do mundo do inconsciente. Semanas após a estreia, continua a somar espectadores e as receitas obtidas já ascendem a mais de 650 milhões de euros. E a razão é simples: Nolan conseguiu, mais uma vez, uma obra-prima.

Se a premissa já revelava a originalidade de Nolan, ao conceber uma realidade em que é possível roubar informação do inconsciente das pessoas enquanto estas dormem, a complexidade e emotividade que lhe conseguiu conferir revelam o génio da sua mente. E, apesar de o filme estar baseado em conceitos, emoções e realidades tão complexas, Nolan vai explicando-os de uma forma subtil ao longo do filme, prendendo a atenção do espectador do início ao fim.

Não querendo revelar pormenores sobre o enredo, importa falar sobre o elenco do filme. Sendo de uma qualidade global inegável, destacam-se Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page e também Joseph Gordon-Levitt. Nota ainda para o excelente contributo da música de Hans Zimmer.

Com um argumento verdadeiramente engenhoso, imagem e efeitos especiais deslumbrantes e um elenco soberbo, 'Inception' é uma viagem alucinante pela mente de Christopher Nolan, um daqueles filmes sobre os quais se diz "nunca ter visto nada assim". Imperdível, portanto. A ser visto e revisto, aguardando-se uma edição em DVD que faça jus à qualidade da película.

domingo, 6 de setembro de 2009

Pushing Daisies


Em tempo de férias a RTP2 costuma recuperar algumas temporadas de séries que já transmitiu. Após a hora do almoço, pelas 14h, há uma alternativa de qualidade aos programas que costumam povoar a televisão portuguesa de tarde ('Tardes da Júlia', 'SIC ao Vivo' e tais). Depois de ter emitido a terceira temporada de 'Ossos', a RTP2 terminou este sábado a exibição de 'Pushing Daisies'.

Traduzida para 'Malmequer, Bem-me-quer' em Portugal, esta é uma das séries mais originais dos últimos tempos. A história é a seguinte: Ned (interpretado por Lee Pace) é um homem com o poder de ressuscitar os mortos, por breves minutos, através do toque. Usa essa capacidade para, em conjunto com o detective privado Emerson Cod (Chi McBride), resolver casos de assassínio. Mas tudo muda quando Ned ressuscita a sua paixão de infância, Chuck (interpretada por Anna Friel), por mais do que uns minutos...

A série triunfa ao ser narrada de forma excepcional por Jim Dale, (quase) como um conto infantil, com uma ingenuidade medida e explorando ao máximo o cómico de situação. O argumento é fresco, leve e cómico, cativando. As personagens são verdadeiras caricaturas, com um elenco que cumpre na perfeição o seu papel. Para além dos personagens principais, destaca-se Kristin Chenoweth, na pele de Olive Snook, funcionária de Ned e eterna candidata ao seu coração. Uma série imperdível.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

'Harry Potter and the Half-Blood Prince'


Os dias passam e o 'red carpet' quase que não cumpria a promessa de actualização constante. Este pequeno post terá de ser pequeno não por falta de tempo ou vontade, mas porque 'Harry Potter e o Príncipe Misterioso' (mais uma das curiosas traduções portuguesas...) apenas estreou ontem. Por isso, o 'red carpet' não se alongará no que tem a dizer sobre o filme, pois muitos serão os que ainda não o viram.

Em primeiro lugar, convém dizer que esta é, claramente, uma história de preparação. Quem acompanhou os livros de J. K. Rowling sabe que este volume da saga explica muitas coisas, e é principalmente essa a sua função. Compreende-se, portanto, que o filme seja um bocado mais parado, com menos acção.

Este é, dos filmes até agora feitos sobre a história do jovem feiticeiro, talvez o que é mais fiel ao livro (por vezes, até mesmo nas falas). No entanto, peca num aspecto, que se assume como fulcral - o final. De acordo com o livro, esta seria a parte com mais acção da história, e com um final particularmente tocante. Como se pode depreender por estas palavras, não é o que sucede no filme. O que acaba por ser uma desilusão. Sobretudo, depois de tudo o que o precede.

segunda-feira, 9 de março de 2009

"Sete vidas"

Depois de uma semana inteira sem nenhum post (e, desde já, as desculpas), fica aqui uma breve crítica a "Sete vidas". Aliás, breve até porque o filme não merece crítica muito detalhada. Esta é uma história sobre um homem que decide alterar o rumo da vida de sete pessoas devido ao sentimento de culpa que sente.

O filme é bastante previsível, e desenvolve-se num ritmo demasiado lento. Existem bastantes lugares-comuns. Temos ainda Will Smith num registo no qual não é habitual. Parece que o actor quer assumir papéis mais sérios (fala-se nele para interpretar Obama).

No fim, a única coisa que vale mesmo a pena é o conceito da história, já que esta é lenta, previsível, moralista. Até tinha potencial - mas teria que ser explorada de outra forma.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Revolutionary Road"

Por ter sido dito que não seriam feitos comentários sobre os filmes envolvidos nos Óscares para não influenciar as votações, seria lógico que não se pudesse falar ainda de "Revolutionary Road". Mas podemos, já que nas principais categorias apenas figura a nomeação para Melhor Actor Secundário.

O filme de Sam Mendes apresenta uma visão um pouco desencantada - para muitos realista - do amor e dos relacionamentos. Passada nos anos 50, a história é sobre um casal Wheeler, interpretado pelo 'casal Titanic', Kate Winslet e Leonardo DiCaprio. No princípio assumidamente contra as convenções sociais, acabam por entrar numa rotina que tanto abominavam.

Bem filmado, com imagem cuidada e cenas memoráveis (o adultério no carro, a monotonia na ida para o trabalho de Frank), o filme vive sobretudo das fabulosas interpretações: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio e, num papel secundário, Michael Shannon (merecidamente nomeado para o Óscar). Daí que não se compreenda a falta de nomeações.

Kate Winslet é simplesmente brilhante no papel da primeiro sonhadora e depois desiludida April Wheeler. Como é possível não ser, sequer, nomeada? O Globo de Ouro fez-lhe justiça. E depois temos Leonardo DiCaprio, a quem não ficaria nada mal uma nomeação por este filme também. Terá jogado contra si uma certa imagem de 'menino bonito de Hollywood'.

Pelo menos a Academia não deixou escapar a performance de Michael Shannon. No papel de um homem com perturbações psíquicas, o actor constrói uma personagem inquietante e singular. Não fosse o outro maluco - leia-se o Joker de Ledger (curioso como os instáveis propiciam nomeações) - e seria de apostar e elogiar a vitória de Shannon na categoria de Melhor Actor Secundário (ok, é capaz de influenciar a votação, mas a 'vitória' de Ledger é do conhecimento geral).

Não falando sequer de uma nomeação para melhor realização espera-se, de um filme como este, pelo menos uma nomeação para Melhor Filme do ano. Tendo visto "Frost/Nixon", e apesar de ser um filmes com boas interpretações, não seria demasiado se fosse substituído por este na lista dos nomeados. Sem 'papas na língua', o filme de Mendes é de facto uma obra notável e que tem o condão de, como nos bons filmes, nos fazer sair da sala de cinema a pensar. Ainda para mais com aquela cena final, de uma crueza irónica fenomenal.